fala sem palavras e encherga mais do que o alcance das próprias pupilas
tem a pressa do tempo de outros
tem a vida e a alegria que já se foram
sem nostalgias ou saudosismos
é a lembrança dos sonhos com o futuro
são palavras que dizem
assim, quase sem querer
num diz-que-me-diz que quase não diz
e precisa?
é o toque que arrepia os pêlos pela pele onde passa
e pulsa...
e pára.
é um relógio antigo a soar o tempo com as notas da lembrança
um piano de cauda correndo atrás de um metrônomo descompassado
são corpos que passam, tranpassam, perpassam, ultrapassam
quase não páram... correm.
mas não se vêem... não se tocam... não se acolhem...
são pessoas sem nomes
beijos sem rostos
abraços sem peitos
são imagens e palavras
pincéis e tintas... são cores!
e azul... e vermelho... e lilás.
e li-las...
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
sábado, 13 de dezembro de 2008
O AMOR... A o quê?
parece que as pessoas já não acreditam mais no amor.
sei lá, parece brega, paia, piegas falar disso.
pior que falar é acreditar nele...
ansiar por ele...
percebo que o amor se resumiu ao sexo.
as amigas já não perguntam às outras se o namoradoé romântico, carinhoso ou etc... a pergunta básica é: "ele é bom de cama?" (namorado, quando ainda se tem um pouco de sentimento... mas também pode ser ficante, amante, peguete, affaire...)
o que faz as pessoas se aproximarem e quererem estar juntas, não é mais um sentimento.
é, sim, uma sensação: o tesão.
ou os sentidos, como a visão ("cara, essa aí é mó gostosa!"), o tato ("muito facinha").
isso não é uma crítica ao sexo, de forma alguma!
mas é estranho pensar no sexo como "uma troca justa".
anh?!
isso mesmo!
conversando com uma amiga, foi isso que eu ouvi: "Ah, Má, só dei pra ele porque eu tava ha muito tempo sem dar. Foi sexo por sexo. Uma troca justa."
socorro!
tá bom, também não sou uma princesinha presa na torre esperando o príncipe encantado num cavalo branco.
o cavalo pode ser marrom...
mas falando sério, não entendo uma pessoa se entregar à outra(s) sem rolar aquele carinho gostoso...
o que será mais descartável, os sentimentos ou as pessoas, nessas histórias?
talvez, por pensar assim, que eu ainda estaja sozinha.
eu sei disso.
mas o que posso fazer, se gosto de me apaixonar?
gosto de me permitir.
e isso não significa me dar, (ou melhor, me emprestar, nesses casos) pra uma pessoa (ou mais, dependendo do gosto) a cada dia...
acho que estou velha...
sei lá, parece brega, paia, piegas falar disso.
pior que falar é acreditar nele...
ansiar por ele...
percebo que o amor se resumiu ao sexo.
as amigas já não perguntam às outras se o namoradoé romântico, carinhoso ou etc... a pergunta básica é: "ele é bom de cama?" (namorado, quando ainda se tem um pouco de sentimento... mas também pode ser ficante, amante, peguete, affaire...)
o que faz as pessoas se aproximarem e quererem estar juntas, não é mais um sentimento.
é, sim, uma sensação: o tesão.
ou os sentidos, como a visão ("cara, essa aí é mó gostosa!"), o tato ("muito facinha").
isso não é uma crítica ao sexo, de forma alguma!
mas é estranho pensar no sexo como "uma troca justa".
anh?!
isso mesmo!
conversando com uma amiga, foi isso que eu ouvi: "Ah, Má, só dei pra ele porque eu tava ha muito tempo sem dar. Foi sexo por sexo. Uma troca justa."
socorro!
tá bom, também não sou uma princesinha presa na torre esperando o príncipe encantado num cavalo branco.
o cavalo pode ser marrom...
mas falando sério, não entendo uma pessoa se entregar à outra(s) sem rolar aquele carinho gostoso...
o que será mais descartável, os sentimentos ou as pessoas, nessas histórias?
talvez, por pensar assim, que eu ainda estaja sozinha.
eu sei disso.
mas o que posso fazer, se gosto de me apaixonar?
gosto de me permitir.
e isso não significa me dar, (ou melhor, me emprestar, nesses casos) pra uma pessoa (ou mais, dependendo do gosto) a cada dia...
acho que estou velha...
por favor, um copo d'água pra ajudar na digestão!
estou engasgada. acho que alguma coisa parou na minha garganta. não sei se foi uma resposta mal dada que ficou intalada e não saiu (e nem entrou direito), um sonho enfarinhado que tá precisando de um gole d'água pra ajudar a digerir ou um sentimento mal-passado que resolveu não descer.
é. acho que ando me alimentando mal. com essa minha gula antropofágica, ando comendo coisas estragadas. ou talvez o problema seja comigo mesmo... meu sistema não está mais conseguindo digerir com a mesma voracidade da minha fome. bulimia, nessas horas, faz até bem. mas detesto vomitar. por isso vou engolindo tudo o que me enfiam goela abaixo, sem nem, às vezes, mastigar. entre sapos e sonhos que tenho engolido, o que mais tenho sido obrigada a mastigar é o meu orgulho. mas esse é pior que carne de pescoço.
o pior de tudo são essas azias...
é. acho que ando me alimentando mal. com essa minha gula antropofágica, ando comendo coisas estragadas. ou talvez o problema seja comigo mesmo... meu sistema não está mais conseguindo digerir com a mesma voracidade da minha fome. bulimia, nessas horas, faz até bem. mas detesto vomitar. por isso vou engolindo tudo o que me enfiam goela abaixo, sem nem, às vezes, mastigar. entre sapos e sonhos que tenho engolido, o que mais tenho sido obrigada a mastigar é o meu orgulho. mas esse é pior que carne de pescoço.
o pior de tudo são essas azias...
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
do alto
Passeando com meu galã, (para quem não o conhece, galã é o meu fusquinha bege) no final daquela tarde amarelada de primavera, eu o vi.
Ele estava lá, parado, só olhando o movimento do trânsito e das pessoas que transitavam mais mecânicas que os automóveis.
Indiferente a tudo e a todos, olhava de cima, e até arriscava cantarolar umas notas musicais, sem se importar com o caos estabelecido ante seus olhos.
Da mesma forma que parecia não se importar com as pessoas, quase ninguém o percebeu ali, apenas eu, que me peguei invejado-o.
Eu, que estava correndo contra o relógio e contra o próprio Tempo, o mirava...
E ele ali, naquela calma, naquela paz...
Ah, passarinho, como eu queria ter suas asas e estar aí no seu lugar!
Aí, no alto do fio elétrico, podendo ver a cidade de cima sem necessidade de ser parte dela...
Ele estava lá, parado, só olhando o movimento do trânsito e das pessoas que transitavam mais mecânicas que os automóveis.
Indiferente a tudo e a todos, olhava de cima, e até arriscava cantarolar umas notas musicais, sem se importar com o caos estabelecido ante seus olhos.
Da mesma forma que parecia não se importar com as pessoas, quase ninguém o percebeu ali, apenas eu, que me peguei invejado-o.
Eu, que estava correndo contra o relógio e contra o próprio Tempo, o mirava...
E ele ali, naquela calma, naquela paz...
Ah, passarinho, como eu queria ter suas asas e estar aí no seu lugar!
Aí, no alto do fio elétrico, podendo ver a cidade de cima sem necessidade de ser parte dela...
olhos
Outro dia me disseram que eu tenho olhos de quem procura
De quem está sempre procurando alguma coisa
É, acho que sigo mesmo numa busca
Uma busca tão intensa e que me toma tão profundamente
Que me obstina e me cega
Que ainda não sei o que busco
Busco o que buscar, acho que é isso!
Quero tudo e tanta coisa, que não sei o que querer
Amo tanto e tão intensamente, que desacredito no amor
Sigo por um caminho com várias ramificações
E estou tão perdida, que tento seguir por todas ao mesmo tempo...
De quem está sempre procurando alguma coisa
É, acho que sigo mesmo numa busca
Uma busca tão intensa e que me toma tão profundamente
Que me obstina e me cega
Que ainda não sei o que busco
Busco o que buscar, acho que é isso!
Quero tudo e tanta coisa, que não sei o que querer
Amo tanto e tão intensamente, que desacredito no amor
Sigo por um caminho com várias ramificações
E estou tão perdida, que tento seguir por todas ao mesmo tempo...
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Meus Reflexos no Espectro de Clarisse
Ai que vontade de voltar a ser minha
Dona das minhas vontades e das minhas paixões
Que vontade de voar
Alçar vôos longos e alcançar outros mundos
De sair do meu mundinho de faz de conta
"Faz de conta que ela era uma princesa azul
Faz de conta que ela amava e era amada
Faz de conta que não precisava morrer de saudade
Faz de conta que vivia..."
Faz de conta que voava
Mas tenho as asas quebradas
"E estou cansada
Não suporto mais a rotina de me ser"
Nada acontece e tudo ao mesmo tempo
Queria ser dona do meu tempo
Ajustar ao meu relógio
O tempo dos meus sonhos
Para que o despertador não me acorde mais
antes de acontecer o ansiado
ou depois que de acontecida a decepção
Mas ainda sonho
"Faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo
pois viver afinal não passava de se aproximar
cada vez mais da morte"
Ah, como eu queria morrer só um pouquinho
pois dormir já não descansa mais
"Não se assustem, morrer é um instante,
passa logo, eu sei"
E como eu sei...
Pois eu me morro "simbolicamente todos os dias"
Ah que vontade de adocicar minhas ilusões
com o melado daquilo que é inconsciente
Que adocica e venda e impede
Impede aquilo que me impede de iludir-me total e cegamente.
"Ah que vontade de alegria.
Estou agora me esforçando para rir em grande gargalhada.
Mas não sei porque não rio."
Talvez porque tenho sono
E meu corpo quase ja não me responde.
Talvez eu sonhe esta noite
E num desses sonhos perceba que a minha vida está mudada.
E eu acorde grávida!
"Uma pessoa grávida de futuro."
E de caminhos, e de estradas, e de sonhos...
Uma pessoa grávida de desejo!
"Ela sabia o que era o desejo - embora não soubesse que sabia.
Era assim: ficava faminta mas não de comida,
era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre
e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço.
(...)
Tudo de repente era muito e muito
e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar.
Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria."
"E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa.
Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. "
Inserção de fragmentos tirados de "Espectro de Clarisse", roteiro teatral que se baseia no texto "A Hora da Estrela" e na biografia da autora Clarisse Lispector.
Dona das minhas vontades e das minhas paixões
Que vontade de voar
Alçar vôos longos e alcançar outros mundos
De sair do meu mundinho de faz de conta
"Faz de conta que ela era uma princesa azul
Faz de conta que ela amava e era amada
Faz de conta que não precisava morrer de saudade
Faz de conta que vivia..."
Faz de conta que voava
Mas tenho as asas quebradas
"E estou cansada
Não suporto mais a rotina de me ser"
Nada acontece e tudo ao mesmo tempo
Queria ser dona do meu tempo
Ajustar ao meu relógio
O tempo dos meus sonhos
Para que o despertador não me acorde mais
antes de acontecer o ansiado
ou depois que de acontecida a decepção
Mas ainda sonho
"Faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo
pois viver afinal não passava de se aproximar
cada vez mais da morte"
Ah, como eu queria morrer só um pouquinho
pois dormir já não descansa mais
"Não se assustem, morrer é um instante,
passa logo, eu sei"
E como eu sei...
Pois eu me morro "simbolicamente todos os dias"
Ah que vontade de adocicar minhas ilusões
com o melado daquilo que é inconsciente
Que adocica e venda e impede
Impede aquilo que me impede de iludir-me total e cegamente.
"Ah que vontade de alegria.
Estou agora me esforçando para rir em grande gargalhada.
Mas não sei porque não rio."
Talvez porque tenho sono
E meu corpo quase ja não me responde.
Talvez eu sonhe esta noite
E num desses sonhos perceba que a minha vida está mudada.
E eu acorde grávida!
"Uma pessoa grávida de futuro."
E de caminhos, e de estradas, e de sonhos...
Uma pessoa grávida de desejo!
"Ela sabia o que era o desejo - embora não soubesse que sabia.
Era assim: ficava faminta mas não de comida,
era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre
e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço.
(...)
Tudo de repente era muito e muito
e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar.
Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria."
"E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa.
Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. "
Inserção de fragmentos tirados de "Espectro de Clarisse", roteiro teatral que se baseia no texto "A Hora da Estrela" e na biografia da autora Clarisse Lispector.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
exercitando a sensualidade
sentia-se estranha...
diferente de como se sentia costumeiramente.
sentia-se bonita!
saiu cedo de casa, ou melhor, não tão cedo assim.
saiu de carro, mas continuou a pé.
parou um tempo no ponto de ônibus, que demorou um bocado, por sinal!
subiu no veículo percebendo alguns olhares a sua volta.
não se importou.
deteve-se ainda um tempo na dianteira, no aguardo de seu troco.
passou vagarosamente por aquele corredor, os cabelos soltos esvoaçando e um leve rebolado.
sentou-se na última cadeira, ao lado da janela.
deixou que o vento soprassem em seu rosto, levantando ainda mais o seu cabelo.
pelo vidro que separava as escadas dos assentos, observava o rapaz à sua frente.
percebeu que ele também a observava... um leve sorriso no canto da boca.
aproveitou seu reflexo para descobrir seu melhor ângulo e treinar seu melhor perfil.
olhando-se, nem percebeu que o rapaz deixara o veículo.
mas o que tem de mais?
não haiva nada de mal em exercitar sua sensualidade dentro do ônibus...
diferente de como se sentia costumeiramente.
sentia-se bonita!
saiu cedo de casa, ou melhor, não tão cedo assim.
saiu de carro, mas continuou a pé.
parou um tempo no ponto de ônibus, que demorou um bocado, por sinal!
subiu no veículo percebendo alguns olhares a sua volta.
não se importou.
deteve-se ainda um tempo na dianteira, no aguardo de seu troco.
passou vagarosamente por aquele corredor, os cabelos soltos esvoaçando e um leve rebolado.
sentou-se na última cadeira, ao lado da janela.
deixou que o vento soprassem em seu rosto, levantando ainda mais o seu cabelo.
pelo vidro que separava as escadas dos assentos, observava o rapaz à sua frente.
percebeu que ele também a observava... um leve sorriso no canto da boca.
aproveitou seu reflexo para descobrir seu melhor ângulo e treinar seu melhor perfil.
olhando-se, nem percebeu que o rapaz deixara o veículo.
mas o que tem de mais?
não haiva nada de mal em exercitar sua sensualidade dentro do ônibus...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
eu de mim em outros
Passeando por aí, meio sem rumo, numa busca não sei de quê, me deparei com frases e falas que, me perdoem a falta de modéstia, foram feitas pra mim. Escritas e, sutilmente endereçadas para o meu agora. Para quê vou buscar minhas palavras, se neste momento as palavras dos outros se encaixam melhor com o timbre da minha voz e com meu estado de espírito? Minhas palavras não falariam mais de mim... e como eu vivo numa busca intensa de mim mesma, do eu que não sei que sou, encontro nas palavras de outros o reflexo do espelho que buscava em mim.
Doces palavras... suavizam o amargo da minha boca.
¨Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'.
Pois esse impulso, as vezes cruel porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'..."
Retirado de Metâmeros - Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Andava pela calçada distraída
As mãos no bolso
Cantarolando uma canção qualquer
Talvez uma de amor brega, ou uma dessas pops do momento
Provavelmente assoviaria, se soubesse...
Olhou pra cima e viu aquele céu azul sem nuvens perpassar teimoso por entre as folhas ensolaradas de uma árvore urbana.
Estava feliz.
Estava bem.
Ah, como foi bom sentir o infinito, mesmo que por pouco tempo.
As mãos no bolso
Cantarolando uma canção qualquer
Talvez uma de amor brega, ou uma dessas pops do momento
Provavelmente assoviaria, se soubesse...
Olhou pra cima e viu aquele céu azul sem nuvens perpassar teimoso por entre as folhas ensolaradas de uma árvore urbana.
Estava feliz.
Estava bem.
Ah, como foi bom sentir o infinito, mesmo que por pouco tempo.
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