Outro dia me disseram que eu tenho olhos de quem procura
De quem está sempre procurando alguma coisa
É, acho que sigo mesmo numa busca
Uma busca tão intensa e que me toma tão profundamente
Que me obstina e me cega
Que ainda não sei o que busco
Busco o que buscar, acho que é isso!
Quero tudo e tanta coisa, que não sei o que querer
Amo tanto e tão intensamente, que desacredito no amor
Sigo por um caminho com várias ramificações
E estou tão perdida, que tento seguir por todas ao mesmo tempo...
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Meus Reflexos no Espectro de Clarisse
Ai que vontade de voltar a ser minha
Dona das minhas vontades e das minhas paixões
Que vontade de voar
Alçar vôos longos e alcançar outros mundos
De sair do meu mundinho de faz de conta
"Faz de conta que ela era uma princesa azul
Faz de conta que ela amava e era amada
Faz de conta que não precisava morrer de saudade
Faz de conta que vivia..."
Faz de conta que voava
Mas tenho as asas quebradas
"E estou cansada
Não suporto mais a rotina de me ser"
Nada acontece e tudo ao mesmo tempo
Queria ser dona do meu tempo
Ajustar ao meu relógio
O tempo dos meus sonhos
Para que o despertador não me acorde mais
antes de acontecer o ansiado
ou depois que de acontecida a decepção
Mas ainda sonho
"Faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo
pois viver afinal não passava de se aproximar
cada vez mais da morte"
Ah, como eu queria morrer só um pouquinho
pois dormir já não descansa mais
"Não se assustem, morrer é um instante,
passa logo, eu sei"
E como eu sei...
Pois eu me morro "simbolicamente todos os dias"
Ah que vontade de adocicar minhas ilusões
com o melado daquilo que é inconsciente
Que adocica e venda e impede
Impede aquilo que me impede de iludir-me total e cegamente.
"Ah que vontade de alegria.
Estou agora me esforçando para rir em grande gargalhada.
Mas não sei porque não rio."
Talvez porque tenho sono
E meu corpo quase ja não me responde.
Talvez eu sonhe esta noite
E num desses sonhos perceba que a minha vida está mudada.
E eu acorde grávida!
"Uma pessoa grávida de futuro."
E de caminhos, e de estradas, e de sonhos...
Uma pessoa grávida de desejo!
"Ela sabia o que era o desejo - embora não soubesse que sabia.
Era assim: ficava faminta mas não de comida,
era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre
e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço.
(...)
Tudo de repente era muito e muito
e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar.
Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria."
"E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa.
Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. "
Inserção de fragmentos tirados de "Espectro de Clarisse", roteiro teatral que se baseia no texto "A Hora da Estrela" e na biografia da autora Clarisse Lispector.
Dona das minhas vontades e das minhas paixões
Que vontade de voar
Alçar vôos longos e alcançar outros mundos
De sair do meu mundinho de faz de conta
"Faz de conta que ela era uma princesa azul
Faz de conta que ela amava e era amada
Faz de conta que não precisava morrer de saudade
Faz de conta que vivia..."
Faz de conta que voava
Mas tenho as asas quebradas
"E estou cansada
Não suporto mais a rotina de me ser"
Nada acontece e tudo ao mesmo tempo
Queria ser dona do meu tempo
Ajustar ao meu relógio
O tempo dos meus sonhos
Para que o despertador não me acorde mais
antes de acontecer o ansiado
ou depois que de acontecida a decepção
Mas ainda sonho
"Faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo
pois viver afinal não passava de se aproximar
cada vez mais da morte"
Ah, como eu queria morrer só um pouquinho
pois dormir já não descansa mais
"Não se assustem, morrer é um instante,
passa logo, eu sei"
E como eu sei...
Pois eu me morro "simbolicamente todos os dias"
Ah que vontade de adocicar minhas ilusões
com o melado daquilo que é inconsciente
Que adocica e venda e impede
Impede aquilo que me impede de iludir-me total e cegamente.
"Ah que vontade de alegria.
Estou agora me esforçando para rir em grande gargalhada.
Mas não sei porque não rio."
Talvez porque tenho sono
E meu corpo quase ja não me responde.
Talvez eu sonhe esta noite
E num desses sonhos perceba que a minha vida está mudada.
E eu acorde grávida!
"Uma pessoa grávida de futuro."
E de caminhos, e de estradas, e de sonhos...
Uma pessoa grávida de desejo!
"Ela sabia o que era o desejo - embora não soubesse que sabia.
Era assim: ficava faminta mas não de comida,
era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre
e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço.
(...)
Tudo de repente era muito e muito
e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar.
Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria."
"E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa.
Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. "
Inserção de fragmentos tirados de "Espectro de Clarisse", roteiro teatral que se baseia no texto "A Hora da Estrela" e na biografia da autora Clarisse Lispector.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
exercitando a sensualidade
sentia-se estranha...
diferente de como se sentia costumeiramente.
sentia-se bonita!
saiu cedo de casa, ou melhor, não tão cedo assim.
saiu de carro, mas continuou a pé.
parou um tempo no ponto de ônibus, que demorou um bocado, por sinal!
subiu no veículo percebendo alguns olhares a sua volta.
não se importou.
deteve-se ainda um tempo na dianteira, no aguardo de seu troco.
passou vagarosamente por aquele corredor, os cabelos soltos esvoaçando e um leve rebolado.
sentou-se na última cadeira, ao lado da janela.
deixou que o vento soprassem em seu rosto, levantando ainda mais o seu cabelo.
pelo vidro que separava as escadas dos assentos, observava o rapaz à sua frente.
percebeu que ele também a observava... um leve sorriso no canto da boca.
aproveitou seu reflexo para descobrir seu melhor ângulo e treinar seu melhor perfil.
olhando-se, nem percebeu que o rapaz deixara o veículo.
mas o que tem de mais?
não haiva nada de mal em exercitar sua sensualidade dentro do ônibus...
diferente de como se sentia costumeiramente.
sentia-se bonita!
saiu cedo de casa, ou melhor, não tão cedo assim.
saiu de carro, mas continuou a pé.
parou um tempo no ponto de ônibus, que demorou um bocado, por sinal!
subiu no veículo percebendo alguns olhares a sua volta.
não se importou.
deteve-se ainda um tempo na dianteira, no aguardo de seu troco.
passou vagarosamente por aquele corredor, os cabelos soltos esvoaçando e um leve rebolado.
sentou-se na última cadeira, ao lado da janela.
deixou que o vento soprassem em seu rosto, levantando ainda mais o seu cabelo.
pelo vidro que separava as escadas dos assentos, observava o rapaz à sua frente.
percebeu que ele também a observava... um leve sorriso no canto da boca.
aproveitou seu reflexo para descobrir seu melhor ângulo e treinar seu melhor perfil.
olhando-se, nem percebeu que o rapaz deixara o veículo.
mas o que tem de mais?
não haiva nada de mal em exercitar sua sensualidade dentro do ônibus...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
eu de mim em outros
Passeando por aí, meio sem rumo, numa busca não sei de quê, me deparei com frases e falas que, me perdoem a falta de modéstia, foram feitas pra mim. Escritas e, sutilmente endereçadas para o meu agora. Para quê vou buscar minhas palavras, se neste momento as palavras dos outros se encaixam melhor com o timbre da minha voz e com meu estado de espírito? Minhas palavras não falariam mais de mim... e como eu vivo numa busca intensa de mim mesma, do eu que não sei que sou, encontro nas palavras de outros o reflexo do espelho que buscava em mim.
Doces palavras... suavizam o amargo da minha boca.
¨Vai passar, tu sabes que vai passar.
Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?
O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'.
Pois esse impulso, as vezes cruel porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'..."
Retirado de Metâmeros - Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Andava pela calçada distraída
As mãos no bolso
Cantarolando uma canção qualquer
Talvez uma de amor brega, ou uma dessas pops do momento
Provavelmente assoviaria, se soubesse...
Olhou pra cima e viu aquele céu azul sem nuvens perpassar teimoso por entre as folhas ensolaradas de uma árvore urbana.
Estava feliz.
Estava bem.
Ah, como foi bom sentir o infinito, mesmo que por pouco tempo.
As mãos no bolso
Cantarolando uma canção qualquer
Talvez uma de amor brega, ou uma dessas pops do momento
Provavelmente assoviaria, se soubesse...
Olhou pra cima e viu aquele céu azul sem nuvens perpassar teimoso por entre as folhas ensolaradas de uma árvore urbana.
Estava feliz.
Estava bem.
Ah, como foi bom sentir o infinito, mesmo que por pouco tempo.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Alejaste pero quedaste
Enamorados
Caminaram juntos un rato, pero sin palabras
Solamente miradas
Miradas que podrian ser casi como abrazos
Algunos dias e uno se fue
A lejos...
Tan lejos, pero tan cerca
Por vivir para siempre detras de los ojos uno de lo otro
Basta que los cierren para acercarse
Ah! Preciosos dias...
"seguiria tus pasos tu caminar como un lobo en celo desde mi hogar con la puerta abierta de par en par"
Gracias a la vida que me ha dado tanto...
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Do meu corpo ... Ao meu travesseiro
Queria hoje falar de sonhos...
Daqueles "sonhos mais lindos" que a gente tem quando dorme, sabe?!
Mas já não sonho...
Praticamente não durmo...
Me morro um pouquinho a cada noite
E revivo ao amanhecer como se a noite ainda nem tivesse chegado.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Enquanto tiver cavalo...
Eu queria não nascer
Não parir esta personalidade
Não ter que ser eu ou não ter um eu para ter que ser
Queria morrer só um pouquinho
Porque dormir já não descansa
Queria aceitar as coisas e as pessoas como elas são
E assim seguir remando a favor da maré
[Tão mais fácil...]
De que me serve toda esta inquietude?
Toda esta vontade?
Personalidade... Consciência... Opinião...
Virtudes descartáveis para uma vida saudável nas atuais circunstâncias.
Todos os meus heróis já quebraram...
Talvez fossem de barro, como santos de altar...
[Frágeis...]
A utilidade das pessoas se mede mesmo, não pelos heróis que porventuram possam se tornar, mas pela quantidade de "São Jorge" que elas conseguem carregar no lombo.
[E, modéstia a parte, já estou tão craque nisso que já faço até malabares com os santinhos!]
E viva a humanidade cada dia mais eqüínea!
Um viva a todas nós!
Não parir esta personalidade
Não ter que ser eu ou não ter um eu para ter que ser
Queria morrer só um pouquinho
Porque dormir já não descansa
Queria aceitar as coisas e as pessoas como elas são
E assim seguir remando a favor da maré
[Tão mais fácil...]
De que me serve toda esta inquietude?
Toda esta vontade?
Personalidade... Consciência... Opinião...
Virtudes descartáveis para uma vida saudável nas atuais circunstâncias.
Todos os meus heróis já quebraram...
Talvez fossem de barro, como santos de altar...
[Frágeis...]
A utilidade das pessoas se mede mesmo, não pelos heróis que porventuram possam se tornar, mas pela quantidade de "São Jorge" que elas conseguem carregar no lombo.
[E, modéstia a parte, já estou tão craque nisso que já faço até malabares com os santinhos!]
E viva a humanidade cada dia mais eqüínea!
Um viva a todas nós!
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Tês
O tilintar da taça. Lá dentro, um timbre tenor que transitava entre tenso e tenaz. Distante. Aos poucos sua tez, de contornos tristes, empalideceu. Tornou-se tétrica. Destacou-se entre os tetos tersos. Ao vê-lo entrar, tacou-lhe um beijo tépido. Tímido na tentativa de tornar tenro aquele afago temporão, beijou-a como um tolo. Ainda por muito tempo. Tirou o terno, tacando-o na estante de madeira tosca e tocou sua tez, agora de um tom tão rubro quanto tomate. Arredia e custosa, tolheu o seu toque, tentando conter a tontura e a temperatura de seu corpo que agora transformara-se numa tocha acesa. Tanto tormento não iria terminar? E se talvez... Era uma tolice. Uma grande tolice! Tentou conter-se, manter toda a compostura. Mas aquele toque... Aquele toque tranformou todo seu tino num turbilhão a atropelar-lhe o juízo. Era tarde. Entregou-se a ele como um títere. E ele a tomou como a um topázio. Ela deixou-se recostar em seu tórax destacando, entre seu porte de touro, seus contornos torneados. Estava entregue. Enredada como numa teia a qual não tentava mais transpôr. E todo aquele temor de sentir-se torpe, tornou-se neste momento um único torpor. Nada mais a lhe torturar. Nenhuma palavra para traduzir tudo o que transcorrera até aquele momento. O tempo não mais existia.
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