Eu, que sempre quis ser alguém
e gostava de inventar alguém pra ser
quero hoje apenas ser eu mesma
mesmo às vezes sendo um Eu
diferente de mim mesma
quero hoje apenas saber quem sou.
Sou um pouco de muitos EU´s
um eu que ri
um eu que chora
um eu que sonha
um eu que voa e que ás vezes cai e machuca.
Quero apenas amar os meus amores
(mesmo os inventados, os platônicos e os sonhados)
chorar as minhas dores, meus temores, meus horrores
encantar-me com as flores,
me alegrar com suas cores, me embalar com seus odores
superar os meus pudores.
Quero apenas dançar a minha dança
viver cada mudança
brincar como criança
soltar a minha transa
conhecer, um dia, a França
aprender em cada andança.
Quero hoje fugir das correntes do domínio
e voar nas asas do fascínio.
Abrir os olhos ao desconhecido
me envolver nas páginas de um livro lido
erguer um sonho que estiver caído
encontrar o EU que estiver perdido.
Quero andar de peito aberto ao mistério
levar a vida só um pouco a sério
na imaginação, construir um grande império
onde amar não tem critério.
Quero que o vento penteie o meu cabelo
quero derreter cada coração de gelo
quero ser alguém que não precise sempre sê-lo
quero um arrepio que me levante cada pêlo.
Quero hoje abrir a minha mente
olhar o mundo com uma lente
econhecer gente que sente
"contentar-me de contente"
entender o inconsciente
abolir da vida o pente (isso eu já consegui!).
Quero tocar tambor no cortejo
e pedir a bênção, aproveitando o ensejo
quero um dia roubar um beijo
sem malícia, só desejo.
Quero aprender com a experiência
encantar com a minha essência
quero crer, também, na ciência
e, pela arte, ser luminescência.
Quero brincar de ser feliz
quero pintar o meu nariz
quero escapar só por um triz
quero viver como aprendiz.
domingo, 14 de outubro de 2007
Acalanto
meu menino moleque
meu menino...
meu menino manhoso
meu menino...
me deixe te mimar
me deixe te dar meu colo
me deixe te consolar
ouça meu acalanto
tentativa de encanto
pra te enfeitiçar
ah,
meu menino moleque
meu menino...
me deixe molhar tua boca
com o calor dos meus lábios
me deixe te dar carinho
te acolher em meus braços
me deixe matar tua sede,
tua fome, teus anseios
me deixe velar teu sono
recostado em meus seios
meu menino
meu moleque
meu medo
meu mistério
me deixe desvendar-te
me deixe encontrar-te
me deixe tentar...
meu menino...
meu menino manhoso
meu menino...
me deixe te mimar
me deixe te dar meu colo
me deixe te consolar
ouça meu acalanto
tentativa de encanto
pra te enfeitiçar
ah,
meu menino moleque
meu menino...
me deixe molhar tua boca
com o calor dos meus lábios
me deixe te dar carinho
te acolher em meus braços
me deixe matar tua sede,
tua fome, teus anseios
me deixe velar teu sono
recostado em meus seios
meu menino
meu moleque
meu medo
meu mistério
me deixe desvendar-te
me deixe encontrar-te
me deixe tentar...
Vá com Deus
(uma homenagem à Júlia)
Impotência!
É o que se sente perante a morte.
Tanta vida em volta, e ela reina soberana, aí percebemos o quanto somos pequnininhos e o quanto somos frágeis...
O quanto nossa vida não passa de um simples sopro.
Nessas horas, a garganta dá um nó e nos fecham as idéias.
Apesar de que, qualquer palavra que saísse seria realmente dispensável.
Uma vida se foi, e quantas outras ficaram chorando aquele corpo vazio que não está mais... já foi!
Quanta dor!
E em volta, nada se move? Como pode?
As outras pessoas, frias e ignorantes de tudo o que acontece, continuam levando suas vidinhas sem pensar nela, que chega de repente acabando com a festa.
Fica a saudade, a tristeza, a lembrança...
E a sensação de uma grande impotência!
Que vá com Deus...
Impotência!
É o que se sente perante a morte.
Tanta vida em volta, e ela reina soberana, aí percebemos o quanto somos pequnininhos e o quanto somos frágeis...
O quanto nossa vida não passa de um simples sopro.
Nessas horas, a garganta dá um nó e nos fecham as idéias.
Apesar de que, qualquer palavra que saísse seria realmente dispensável.
Uma vida se foi, e quantas outras ficaram chorando aquele corpo vazio que não está mais... já foi!
Quanta dor!
E em volta, nada se move? Como pode?
As outras pessoas, frias e ignorantes de tudo o que acontece, continuam levando suas vidinhas sem pensar nela, que chega de repente acabando com a festa.
Fica a saudade, a tristeza, a lembrança...
E a sensação de uma grande impotência!
Que vá com Deus...
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Papo cabeça
- Alô?
- Alo!
- Oi.
- Oi!
- Ah, é você!
- Sou eu.
- E aí!?
- Beleza?
- Ah, tranquilo. E você, o que tá arrumando?
- Nada demais e você? Sumiu.
- Nada... Tô por aí mesmo.
- Ah, legal!
- Pois é.
- Ou, então fica assim.
- Beleza! Aparece!
- Pó dexá!
- Então, tchau procê.
- Falou, então.
- Então tá!
- Tchau!
- Tchau!
- Alo!
- Oi.
- Oi!
- Ah, é você!
- Sou eu.
- E aí!?
- Beleza?
- Ah, tranquilo. E você, o que tá arrumando?
- Nada demais e você? Sumiu.
- Nada... Tô por aí mesmo.
- Ah, legal!
- Pois é.
- Ou, então fica assim.
- Beleza! Aparece!
- Pó dexá!
- Então, tchau procê.
- Falou, então.
- Então tá!
- Tchau!
- Tchau!
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Em "banho-Marina"
água fria sobre o fogo que ainda não se apagou
teimoso, ele
cozinhando, cozinhando...
quando a chama está em suas últimas fagulhas
um grande fole a tenta ativar
e resiste ainda um tempo
teimosa, ela
cozinhando, cozinhando
e se permitindo cozinhar
cometera este delito
porém seu maior deleite
quando o tentava incendiar
cozinhando, cozinhando
a chama, agora, acesa
mais água fria
teimoso, ele
ainda insistia
cozinhando, cozinhando
o bocal ainda está quente
a água, evaporando
a chama porém, apagou-se.
teimoso, ele
cozinhando, cozinhando...
quando a chama está em suas últimas fagulhas
um grande fole a tenta ativar
e resiste ainda um tempo
teimosa, ela
cozinhando, cozinhando
e se permitindo cozinhar
cometera este delito
porém seu maior deleite
quando o tentava incendiar
cozinhando, cozinhando
a chama, agora, acesa
mais água fria
teimoso, ele
ainda insistia
cozinhando, cozinhando
o bocal ainda está quente
a água, evaporando
a chama porém, apagou-se.
sábado, 29 de setembro de 2007
Não vale a pena
Ficou dificil
Tudo aquilo,nada disso
Sobrou o meu velho vicio de sonhar
Pular de precipicio em precipicio, ossos do oficio
Pagar para ver o invisivel e depois enxergar
Que é uma pena, mas voce nao vale a pena
Nao vale uma fisgada dessa dor
Nao cabe como rima de um poema, de tao pequeno
Mas vai e vem e me envenena e me condena ao rancor
De repente cai o nivel e eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado
O velho texto batido dos amantes mal amados
Dos amores mal vividos
E o terror de ser deixada
Vou tocando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida
E é para nao ter uma recaida que nao me deixo esquecer
Que é uma pena, mas voce nao vale a pena
Nao vale uma fisgada dessa dor
Nao cabe como rima de um poema de tao pequeno
Mas vai e vem e me envenena e me condena ao rancor
De repente cai o nivel e eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo repetindo como um disco riscado
O velho texto batido dos amantes mal amados
Dos amores mal vividos
E o terror de ser deixada
Vou tocando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida
E é para nao ter recaida que nao me deixo esquecer
Que é uma pena, mas voce nao vale a pena............
Tudo aquilo,nada disso
Sobrou o meu velho vicio de sonhar
Pular de precipicio em precipicio, ossos do oficio
Pagar para ver o invisivel e depois enxergar
Que é uma pena, mas voce nao vale a pena
Nao vale uma fisgada dessa dor
Nao cabe como rima de um poema, de tao pequeno
Mas vai e vem e me envenena e me condena ao rancor
De repente cai o nivel e eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado
O velho texto batido dos amantes mal amados
Dos amores mal vividos
E o terror de ser deixada
Vou tocando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida
E é para nao ter uma recaida que nao me deixo esquecer
Que é uma pena, mas voce nao vale a pena
Nao vale uma fisgada dessa dor
Nao cabe como rima de um poema de tao pequeno
Mas vai e vem e me envenena e me condena ao rancor
De repente cai o nivel e eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo repetindo como um disco riscado
O velho texto batido dos amantes mal amados
Dos amores mal vividos
E o terror de ser deixada
Vou tocando, relembrando, reabrindo a mesma velha ferida
E é para nao ter recaida que nao me deixo esquecer
Que é uma pena, mas voce nao vale a pena............
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Manhã
Imagem bucólica
à sombra de uma árvore, sentada na grama
um livro na mão
Raios de sol atravessam timidamente as folhas das árvores
alimento para sua alma
Apesar do sonido alto e irritante da selva de concreto ao longe
Lá se refugiava
Como uma fadinha em seu habitat
Na mente, idéias vagavam distantes
Algo um tanto pictórico
Sons de pássaros, folhas caindo e a brisa que soprva mansa
Nem mesmo as formigas, que insistiam em passear pelo seu corpo estragavam aquele momento
Só mesmo um vazio a incomodava
Uma falta que não podia controlar
Só mesmo isso para dar à sua expressão um ar menos doce, menos calmo e menos alegre do que pedia aquele momento quase lúdico...
à sombra de uma árvore, sentada na grama
um livro na mão
Raios de sol atravessam timidamente as folhas das árvores
alimento para sua alma
Apesar do sonido alto e irritante da selva de concreto ao longe
Lá se refugiava
Como uma fadinha em seu habitat
Na mente, idéias vagavam distantes
Algo um tanto pictórico
Sons de pássaros, folhas caindo e a brisa que soprva mansa
Nem mesmo as formigas, que insistiam em passear pelo seu corpo estragavam aquele momento
Só mesmo um vazio a incomodava
Uma falta que não podia controlar
Só mesmo isso para dar à sua expressão um ar menos doce, menos calmo e menos alegre do que pedia aquele momento quase lúdico...
terça-feira, 11 de setembro de 2007
frio
meia noite e trinta e oito minutos.
uma pedra no meio do caminho...
um corredor.
elevador.
outro corredor.
oitavo andar, ala B, leito 22.
espera...
gemidos e sons de metal rangendo.
um canto, refúgio.
um adeus, até logo.
vento frio, paredes frias, cores frias.
sono lência...
acordo, agulha e fios.
uma dor simpática sobe pelas veias.
olhos fechados, nariz gelado.
cinco e vinte e dois.
estrondos, vozes, ainda frio.
mais gemidos dolorosos.
vazio... no estômago!
fome.
sete e trinta e cinco
café com leite e pão quase sem manteiga.
mais agulhas,
dessa vez, tres frascos de sangue.
exames.
sem novidades.
vai-se o dia inteiro.
à toa...
fim da tarde.
termo de responsabilidade.
auta.
carro.
colação de grau.
uma pedra no meio do caminho...
um corredor.
elevador.
outro corredor.
oitavo andar, ala B, leito 22.
espera...
gemidos e sons de metal rangendo.
um canto, refúgio.
um adeus, até logo.
vento frio, paredes frias, cores frias.
sono lência...
acordo, agulha e fios.
uma dor simpática sobe pelas veias.
olhos fechados, nariz gelado.
cinco e vinte e dois.
estrondos, vozes, ainda frio.
mais gemidos dolorosos.
vazio... no estômago!
fome.
sete e trinta e cinco
café com leite e pão quase sem manteiga.
mais agulhas,
dessa vez, tres frascos de sangue.
exames.
sem novidades.
vai-se o dia inteiro.
à toa...
fim da tarde.
termo de responsabilidade.
auta.
carro.
colação de grau.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Antropofagia
Ando neste momento um tanto quanto antropofágica...
Um dos meus maiores divertimentos tem sido ler os outros
Devorar palavras, degustar olhares, decifrar pessoas.
Vejo e leio tantas coisas saborosas, que me abrem o apetite e me dão vontade e coragem para escrever.
Escrevo sobre coisas que que me engasgam, que me encantam, que não digerem ou que já estão mais que digeridas.
Muitas vezes o que escrevo são meus excrementos...
Degusto pessoas através de suas palavras.
Espero também ser digerida por alguém... por isso escrevo!
Um dos meus maiores divertimentos tem sido ler os outros
Devorar palavras, degustar olhares, decifrar pessoas.
Vejo e leio tantas coisas saborosas, que me abrem o apetite e me dão vontade e coragem para escrever.
Escrevo sobre coisas que que me engasgam, que me encantam, que não digerem ou que já estão mais que digeridas.
Muitas vezes o que escrevo são meus excrementos...
Degusto pessoas através de suas palavras.
Espero também ser digerida por alguém... por isso escrevo!
terça-feira, 28 de agosto de 2007
O arco-íris
-Mamãe, os arco-íris existem de verdade?
-Claro, meu bem... Por que a pergunta?
-É que eu achei que eles existiam só nos desenhos animados! Mas então, porque eu nunca vi um?
-Ora, meu bem, é que eles não aparecem sempre.
-Quando eles aparecem, mamãe?
-Ah, meu filho... Quando chove e faz sol ao mesmo tempo.
-Ah... Mas e os duendes?
-Que duendes, meu Deus?
-Os duendes que guardam o pote de ouro!
-Anh?
-É, mamãe! No final do arco-íris!
-Não, meu filho. Os duendes não existem.
-Como não, mamãe?! Você já foi no final do arco-íris pra saber?
-Não! Mas duendes não existem.
-Mas o arco-íris existe...
-Claro!
-Mas eu nunca vi...
-É que você nunca prestou atenção no céu na hora certa.
-Quer saber, mamãe?! Eu acho que a senhora está querendo me enganar!
-Enganar? Eu?
-É. E ficar com o ouro só pra senhora!
-Claro que não! Onde já se viu!?
-Mas se o arco-íris existe, e a senhora nunca foi lá, como a senhora pode dizer que os duendes e o ouro não exitem?!
-Se existissem, você acha que eu já não teria ido lá pegar um pouquinho do ouro?!
-Hehehe... A senhora é tão boba, mamãe!
-Sou é? E porque? Posso saber?
-Porque os duendes nunca teriam deixado você encontrar o ouro, né? Ah, vai ver que é por isso que a senhora não sabe onde fica.
-Ai ai ai...
-Não fica triste não mamãe. Quando eu descobrir eu conto pra senhora, viu?!
-Claro, meu bem... Por que a pergunta?
-É que eu achei que eles existiam só nos desenhos animados! Mas então, porque eu nunca vi um?
-Ora, meu bem, é que eles não aparecem sempre.
-Quando eles aparecem, mamãe?
-Ah, meu filho... Quando chove e faz sol ao mesmo tempo.
-Ah... Mas e os duendes?
-Que duendes, meu Deus?
-Os duendes que guardam o pote de ouro!
-Anh?
-É, mamãe! No final do arco-íris!
-Não, meu filho. Os duendes não existem.
-Como não, mamãe?! Você já foi no final do arco-íris pra saber?
-Não! Mas duendes não existem.
-Mas o arco-íris existe...
-Claro!
-Mas eu nunca vi...
-É que você nunca prestou atenção no céu na hora certa.
-Quer saber, mamãe?! Eu acho que a senhora está querendo me enganar!
-Enganar? Eu?
-É. E ficar com o ouro só pra senhora!
-Claro que não! Onde já se viu!?
-Mas se o arco-íris existe, e a senhora nunca foi lá, como a senhora pode dizer que os duendes e o ouro não exitem?!
-Se existissem, você acha que eu já não teria ido lá pegar um pouquinho do ouro?!
-Hehehe... A senhora é tão boba, mamãe!
-Sou é? E porque? Posso saber?
-Porque os duendes nunca teriam deixado você encontrar o ouro, né? Ah, vai ver que é por isso que a senhora não sabe onde fica.
-Ai ai ai...
-Não fica triste não mamãe. Quando eu descobrir eu conto pra senhora, viu?!
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