sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Tês

O tilintar da taça. Lá dentro, um timbre tenor que transitava entre tenso e tenaz. Distante. Aos poucos sua tez, de contornos tristes, empalideceu. Tornou-se tétrica. Destacou-se entre os tetos tersos. Ao vê-lo entrar, tacou-lhe um beijo tépido. Tímido na tentativa de tornar tenro aquele afago temporão, beijou-a como um tolo. Ainda por muito tempo. Tirou o terno, tacando-o na estante de madeira tosca e tocou sua tez, agora de um tom tão rubro quanto tomate. Arredia e custosa, tolheu o seu toque, tentando conter a tontura e a temperatura de seu corpo que agora transformara-se numa tocha acesa. Tanto tormento não iria terminar? E se talvez... Era uma tolice. Uma grande tolice! Tentou conter-se, manter toda a compostura. Mas aquele toque... Aquele toque tranformou todo seu tino num turbilhão a atropelar-lhe o juízo. Era tarde. Entregou-se a ele como um títere. E ele a tomou como a um topázio. Ela deixou-se recostar em seu tórax destacando, entre seu porte de touro, seus contornos torneados. Estava entregue. Enredada como numa teia a qual não tentava mais transpôr. E todo aquele temor de sentir-se torpe, tornou-se neste momento um único torpor. Nada mais a lhe torturar. Nenhuma palavra para traduzir tudo o que transcorrera até aquele momento. O tempo não mais existia.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Inverno nas ladeiras

"Descendo a rua da ladeira, só quem viu que pode contar."
As pernas bambas e o nariz vermelho no vento frio. Cortante.
A respiração meio ofegante. Boca seca.

"Cheirando a flor de laranjeira Sá Marina vem pra dançar."
Escolheu a melhor pedra pra se equilibrar
Para sambar a vontade e de mente aberta... vazia.
Embebedada ao som de samba
Embriagada pela melodia regada
"Roda pela vida afora. Põe pra fora essa alegria"
Comemora. Ri e chora.
Uma brincante no meio da rua
Também amante à luz da lua.
Vai pra casa trazendo consigo o sol...
"Dança que amanhece o dia pra se cantar."
A voz rouca e a cabeça louca
A direção já não importa mais
"Dança 'com' essa gente aflita, se agita..."
E se encanta com tantos olhares
Que acompanham ou não o seu passo
Que se perdem e se encontram
E se mostram e se escondem
"Mostra toda essa poesia no olhar"
Revelado nas fotografias
Os ângulos e as poses
Os dias e as noites.
"Deixando os versos na partida
E só cantigas pra se cantar
Naquela tarde de domingo"
Se foi, mas com vontade de ficar!
(inserções de fragmentos da música Sá Marina de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Se Deus é uma invenção,

O amor também o é.

Este porém, das duas,

é a mais cruel...



Feliz dia dos...
...recalcados!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Momentos...

Hoje li um texto que me fez sentir vontade de voltar a escrever...
Falava sobre o tempo...
O quanto dura um instante.
Falava sobre o coração...
Com seus momentos fugidios e efêmeros para uns...
muitas vezes eternos e intensos para outros...

Os momentos... Ah, os momentos!
Sou cheia deles...
Sou feita deles...
Alguns destes, criados, aumentados, reforçados pela minha imaginação.
Podem ter durado um dia... uma hora... um minuto...
Mas dentro de mim reverberam uma vida!

E... neste momento de instante vazio...
Meu coração anseia a chegada de uma nova ilusão!

"...e o meu coração vagabundo
quer guardar o mundo em mim..."

(obrigada menina Dori pelo momento de inspiração.)

quinta-feira, 5 de junho de 2008


Mar...

a bailar...

...ina...



Marinaabailar...

...abailarina

...amar...

...marabailar

Marinaabailarina.

Marina

domingo, 25 de maio de 2008

............................TÃO.......................
.......................................D..............d.
..D...Dd.......ddddd............dddi.........
dididi...di..diiii.........dif...f....dif..dif
ffffff.....fffi...diffffi........difi....difi......
...difi.......fidifi....s...difisss.......difiss
ssssci.........difififisssci...difíci...ci....
ci...iu...il........difíssssiiuuulll...........
...........difícilllll.....difícil..................


Nossa!


...........TÃO DIFÍCIL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sancho Pansa para Quixote...

Escrevo ao meu fiel companheiro,
meu Quixote predileto,
aquele que enfrenta os moinhos de vento ao meu lado, me ajudando e me defendendo dos leões, geralmente criados pela minha imaginação pulsante e voadora, com seu realismo seco e as vezes sádico.
Não, não sou o Quixote, sou o Sancho mesmo...
Acho que combino mais com o "Pança"...
Loucos, somos os dois!
Então não importa quem é quem, nessa metáfora cervantesca.
Nossa loucura vai além de deitarmos num gramado e devaneamos nossas inquietudes pululantes sobre a noite, o céu, a lua e a sua áurea, com uma festa de psicodelia acontecendo simulatanemente a menos de dez metros de nós.
Aí tive ainda mais certeza dos elos que nos unem.
Você, um fiel escudeiro a quem faço questão de carregar a tiracolo, me prova a cada dia seu valor na minha jornada.
Uma enciclopédia humana, que dispensa os rodeios e redundâncias chatas e costumeiras das enciclopédias comuns.
Um divã, onde não me deito, mas confesso meus temores, meus sonhos, minhas ânsias e angústias...
Um anjo, sem cachinhos (e quase sem cabelo), que vela meu sono, esperando-me recuperar a condição de dirigir.
Um artista, com quem gosto de trocar e adquirir novas experiências.
Um beberrão, companheiro de todos os copos, latas, taças, tulipas, cuias, cabaças...
Um músico, literato, filósofo, psicólogo, louco e lúcido.
Antagônico, paradoxal, mas nunca contradicente.
Um amigo, daqueles que a gente confia tanto que acaba esquecendo que ele é homem (e que por sinal, ficou muito bravo quando o contei que quase o considerava assexuado)...
Quixote querido, quero continuar sempre como seu Sancho Pança, parceiro e partner, enfrentando quantos gigantes, dragões e moinhos aparecerem.
Obrigada!

Do Sancho Pança, amigo fiel e relapso.

Homenagem a um grande amigo, que apesar do nome vindo diretamente dos filems de terror, será sempre muito mais poético no meu bem querer.

nas planícies do planalto

Queria ter o dom de escrever
Se o tivesse, escreveria sobre coisas bonitas
Como um gramado coberto de paina e orvalho
Numa madrugada bonita em Brasília
Lembrando neve em pleno planalto, num clima tropical.

Queria ter o dom de escrever
Para poder registrar no papel
Esse aperto com que sinto no peito, com a mesma intensidade que o sinto
Para poder falar da beleza de cada olhar
E o brilho de cada sorriso.

Ah, como eu queria ter o dom de escrever
Para poder falar de carinho
Para poder falar de admiração
Para poder falar da ARTE
Para poder falar de festa
Para poder falar de pessoas
Para poder falar de tristezas e algrias.

Ah, como eu queria ter o dom de escrever...
Ah, como eu queria ter o dom de...
Ah, como eu queria ter o dom...
Ah, como eu queria ter...
Ah, como eu queria...
Ah, como eu...
Ah, como...
Ah...

Homenagem aos meus antigos e novos amigos da capital federal, no dia do aniversário de Bresília.
(Escrito no aeroporto de Brasília em 31/08/2005,
na volta pra casa da III Edição do Festival de Teatro Brasileiro/Cena Mineira.)
Quanta saudade...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

M ... a esperar ... M

Eu a vi.
Ela estava lá. Sentada. Sozinha.
A esperar...
Como é bonita!
Roupa de listras e maquiagem bem feita.
Tem estilo, a garota.
Os cabelos longos e escorridos emolduravam-lhe a face e os ombros.
Como doeu-me vê-la ali
A esperar...
Naquela tarde ensolarada
Bem no meio da semana:
Quarta-feira
Dia que outrora fora meu...

Fui embora antes de ver sua espera ser saciada por aquele a quem EU tanto esperei.
Sem saciar-me.
Entre esperas e (des)encontros...
Já não espero mais.

sábado, 12 de abril de 2008

Em Si No Samba

A banda toca agora os primeiros lamentos de um samba-canção, daqueles tão sofridos e tristes. O choro da cuíca se mistura aos soluços e suspiros da menina que se levanta e põe-se a dançar.

Ele a olhou dançar a certa distância seguindo o frio que esmorecia na lata gelada...

[Solidão é lava que cobre tudo...]
Aos poucos, vai-se permitindo embalar pelos acordes suaves da música. Identificando-se com a letra, ou nem prestando atenção, vai rodando melodiosamente por aquele salão que parece gigantesco, para se dançar sozinha.

[Solidão é lava que cobre tudo...] Imaginou porque rodava sozinha, se tão bela.. se tão graciosa.. se tão digna de atenção que deveria ali haver uma platéia tão digna dela...

[Amargura em minha boca...]
A saia rodada se levanta aos poucos, a cada volta que a menina dava, deixando aparecer os joelhos, um pouco frouxos pelo efeito do drink que ainda segurava e lhe amargava as papilas.

[Amargura em minha boca...] Bebeu da cerveja amarga, deixando-se encantar pelo rodopiar das saias que mantinhas suas idéias bailando...

[Solidão palavra cravada no coração...]
O peito cheio de sensações misturadas. Sentimentos confusos e esperanças adiadas. O corpo, embalado pelo tuc tuc do pandeiro, se recusava a responder a qualquer um desses sentimentos. Apenas a música lhe movia neste momento.

[Solidão palavra cravada no coração..] Percebia que o salão esvaziava, mas ele estava agora hipnotizado por aquela dança. Pela sintonia entre os descompassos dela e daquele samba.. uma trama sedutora certamente...

[Resignado e mudo...]
Aos poucos o salão foi-se esvaziando, e as pessoas, a esta altura já meio bêbadas, espantavam-se ao ver a moça que ainda rodava, cada vez mais solitária naquele salão.

[Resignado e mudo...] Mas ele preferia apenas assistir. Fora uma longa noite de longas histórias e a satisfação de contemplar uma musa dançante era melhor que cerveja.. que alívio.. era melhor que falar...

[No compasso da desilusão...]
Um ou dois homens tentaram lhe fazer companhia. Talvez por pena, ou porque interessaram-se por ela, que afinal, não era uma moça feia. Ela recusou. Aquela noite seria dela. Somente dela e de mais ninguém. Já gastara tantas noites com outras pessoas...

[No compasso da desilusão...] Viu os outros homens, que ao contrário dele não conseguiram conter a líbido ou a piedade e dela se aproximaram.. sendo rechaçados.. ele bem sabia.. ela estava ali para ser estrela e não constelação...

[Danço eu, dança você, na dança da solidão...]
A banda parou. Ela parou de dançar, buscou sua bolsa e comprou uma bebida mais. Bebeu sozinha, quando as luzes já começavam a se apagar. Pegou um taxi e foi pra casa com a sensação de que ganhara a si mesma naquela noite...

[Danço eu, dança você, na dança da solidão...] A banda parou. Ela parou. Foi até o balcão e tomou uma última bebida antes de ir-se em um táxi. Ele sorriu. Acendeu um cigarro e foi ver mais uma estrela nascer na praia...


***Os trechos azuis chegaram depois, mas só fizeram acrescentar, vindos diretamente das mãos sensibilíssimas de um cara que tô conhecendo agora, mas que tem o dom de usar as palavras. E Salve Jorge!!! Muito obrigada pelas suas palavras!!!***