sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Revirando meu baú...

"Sabe de uma coisa Seu
Vou lhe jogar no meu baú..."

Acho que todo mundo tem um baú. Daqueles onde guardamos todas aquelas coisas que não temos coragem de nos desfazer. Fotos antigas (ou nem tanto), rascunhos de declarações e poemas de amor, brinquedinhos de Kinder Ovo, cartas recebidas ou que nunca foram entregues, aquelas alianças de compromissos desfeitos, até mesmo aqueles botões coloridos, bonitinhos, do tempo da nossa avó, que guardamos na esperança de um dia colocá-los em nossas roupas...
Para algumas pessoas, o baú pode ser uma gaveta, uma caixinha colorida, uma pasta lá no fundo do maleiro... enfim. Acho que todos têm o seu.
Esses dias andei revirando o meu baú... Colocando mais algumas coisas e aproveitando para rever essas tralhas que fazem parte da minha história.
Percebi o quanto já amei e o quanto já sofri, quantas pessoas passaram pela minha vida e me deixaram marcas boas e ruins. Percebi quanta saudade eu tenho de algumas coisas e como elas são melhores na minha lembrança... E percebi, principalmente, a enorme capacidade que eu tenho de juntar coisas!
Resolvi, então dar uma geral, uma limpa no meu baú. Jogar fora todas aquelas coisas que realmente já não fazem mais sentido pra mim. Quanta coisa!!!
Agora estou até mais leve... Guardando aqueles momentos na minha memória, até que voem como aquelas lembranças que já me esqueci (visto que memória boa não é uma das minhas virtudes) mas que assim, por pior que sejam, se tornam lindas.
Joguei tanta coisa fora!!!
Mas os botões...
Ah, os botões!!!
Esses eu ainda guardo.

"Sabe de uma coisa Seu
Vou lhe jogar no meu baú
Vivo e mágico
Com as coisas boas que tem lá."
(Trecho de Baú - Vanessa da Mata)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Homônimos

É engraçado as surpresas que a vida arma pra gente... E é engraçado também o quanto não aprendemos nada com cada uma dessas surpresas, e estamos sempre repetindo os mesmo erros...
Eu vi você. Aquele, sem o "H". Descobri você em meio a tanta gente, em meio à tantas coisas.
Te vi e te quis, mesmo sem saber quem tu eras.
Criei em mim um você tão perfeito, que não quis mais saber de outro (ou outros, como era costume). E tempo se passou assim... Nem percebi!
Convivi bem com minhas idéias e suas verdades, ou meias verdades... ou mentiras... Enfim, prefiro nem saber.
Era só você pra mim, mesmo eu sabendo que não era somente eu pra você. Isso não me importava, porque quando estávamos juntos, você me completava de uma maneira, que meu corpo, por mais cansado que estivesse, sempre pedia mais.
Me deixei levar e guiar por uma ilusão gostosa (mas que não deixa de ser ilusão) criada, não por você, mas por mim mesma.
Até que um dia eu o vi. Homônimo, com "H".
Situações tão parecidas... Tanta gente... tantas outras gentes...
E eu o quis, como quis você. Criações quase virtuais, pelas quais me apaixono e me entrego.
Como a vida é cíclica, não?!
E, por mais estranho que pareça, deixei que minha náu mudasse de direção, e navegasse ao léo... Espero, algum dia, encontrar um porto que não seja de ilusão...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

In Vento

Invento
Invento o vento que vejo balançar os cabelos de quem passa
O mesmo vento que ao balançar os meus cabelos valoriza o meu "visual Vanessa" - inventado
Invento vida onde vejo vias paradas e solitárias.
Invento as veias onde correm, em vez de sangue, vinho (branco e tinto)
Invento o verde do gramado, onde deito e rolo...
Ih, inventei...
Não deito nem rolo, mas In Vento.
Invento vozes conhecidas e queridas, me dizendo versos voláteis, seja lá o que isso quer dizer
Invento uma vaidade inexistente, em uma quase velha mulher ainda na infância, que vive só de frente pro espelho, esperando que alguém lhe veja
Invento lembranças, às vezes vagas, de vidas passadas
Invento letras e palavras que se vertem em V's
Invento verbos, por vezes já inventados...
Invento...
Mas o vento, [que voraz!] insiste em varrer minhas inventividades.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Eu... atriz...

Sempre quis ser atriz. Desde criança.
Nunca pensei em fama, dinheiro ou televisão. Queria ser atriz para poder dizer algo que encantasse, alegrasse, deslumbrasse... Algo que fizesse alguém refletir, ou simplesmente sorrir, ali, na minha frente.
O palco nunca foi sinal de status, e sim de transgressão.
Transgredir aquilo que já está posto como real e certo.
No palco, aprendi a me conhecer, e, por mais antagônico que pareça, aprendi a não fingir. Atuar, não é fingir, e sim brincar. Representar não é fingir ser quem você não é, e sim,brincar com várias possibilidades de você mesmo.
É apresentar alguém, que, por mais diferente que seja de você, sempre terá um pouquinho seu, a outro alguém. É sempre como um presente.
Quando atuo, estou me doando de presente. Estou expondo, não só a minha figura, mas eu mesma, em qualquer situação, possível ou improvável...
É, me falaram que sou atriz... e eu concordo!
Eu presente pra você.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Poderia ser melhor

Hoje me machuquei
senti uma dor horrível
pior do que quando se bate com o dedo mindinho na quina da porta...
pior do que quando se cai da escada, rolando uns seis degraus...
pior do que quando se morde a língua no meio da fala empolgada...
pior...
muito pior!

Hoje engoli em seco
e senti um gosto horrível
pior do que jiló sem tempero...
pior do que dizem do fel...
pior do que própolis sem mel...
pior...
muito pior!

Hoje abri os olhos
e vi coisas horríveis
coisas que eu não queria ver
pior do que filme de monstro...
pior do que a Vera Loyola e a Elza Soares...
pior do que minha cara borrada, quando acordo de ressaca em dia seguinte de festa...
pior...
muito pior!

Hoje me magoei com um amigo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Só um suspiro... mas não inspiração.

há tempos venho tentando escrever
quase todos os dias
mas parece que as palavras se perdem em algum lugar obscuro
entre minha mente e meus dedos...

queria escrever sobre o mar... a areia e o vento.
sobre a saudade daquele lugar
saudade
que em lugar de diminuir
deixou um gosto de quero mais
e a vontade de voltar.

queria escrever sobre olhares
e também sobre olhos.
olhares que se encontrar, se desencontram
se marejam,
de lágrimas ou maresias
olhares verdes, pretos, azuis, castanhos
que se atraem, se conectam e também que fogem.

queria escrever sobre pessoas
sobre braços e abraços
fortes ou falsos
sobre pés e passos
de salto ou descalços
as vezes descompassados...

queria escrever sobre a música
escrever a própria música
música própria
cantar minha música
ser cantada em música
ser cantada com música

enfim...
queria escrever,
mas faltou inspiração.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Pensar em Coisas Lindas

Quando anoitece no vale encantado,
Fica só um fiozinho de luz vermelhaLá no horizonte.
E todas as crianças do mundo param pra ver o pôr do sol.
Ah, o deus das fadas fica tão triste se a gente deixa
De ver o pôr do sol!
A linha vermelha, puxa uma carruagem cheia de estrelas,
Onde está a deusas dos sonhos e seu pó mágico,
Que faz a gente sonhar coisas lindas...
Quando vocês estiverem tristes, pensem em coisas lindas:
Balas, travessuras, carinho, carrinho, beijo de mãe,
Brincadeira de queimado, árvore de natal,
Árvore de jabuticaba, céu amarelo, bolas azuis,
Risadas, colo de pai, história de avó...
Quando vocês forem grandes e acharem que a vida não é linda
Pensem em coisas lindas.
Mas pensem com força, com muita força,
Porque aí o céu vai ficar cheio de vacas gordas amarelas,
Cachorro bonzinho, bruxa simpática,
Sorvete de chocolate, caramelos e amigos
Vamos, vamos lá! vamos pensar só em coisas lindas!
Brincar na chuva, boneca nova, boneca velha, bola grande,
Mar verde, submarino amarelo, fruta molhada, banho de rio,
Guerra de travesseiro, boneco de areia, princesas,
Heróis, cavalos voadores...
Ih! já tá anoitecendo no vale encantado!
Dorme em paz, minha criança querida
Vamos pensar em coisas lindas até amanhecer.

(ás vezes outras pessoas falam por nós, bem melhor que nós mesmos!)
Oswaldo Montenegro - "Meu marido!"

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Duendes...

- Quem pegou o chocolate que tava dentro da minha gaveta????
- Não fui eu!
- Nem eu!
- Você tava escondendo chocolate da gente, é?
- Não... Só tava guardando... pra quando desse vontade...
- Sei!
- Mas fala aí, foi você que pegou? Tinha só uma semana que eu coloquei ele lá!
- Claro que não. Se eu soubesse que tinha chocolate ali, ele não durava nem uma samana!rs

- Alguém viu o meu óculos? Tenho certeza que o deixei em cima da mesa do meu quarto!
- Tem certeza? Aposto que você não procurou direito!
- Claro que procurei.
- Quer apostar quanto que se eu procurar eu vou achar. Você nunca procura nada direito!
- Ah, cala a boca! Não enche, moleque!
- Mãe, você viu meus óculos escuros?
- Óculos? Nem sabia que você tinha óculos!
- Ai, meu Deus, eu mereço! E agora não dá mais tempo de procurar, já to atrasada! Tchau!

- Mãe, você viu minha lapiseira?
- Qual?
- Ai, mãe! Aquela 0.5... Azulzinha.
- Vi não, filha.
- Tenho certeza que deixei ela em cima da escrivaninha...

- Mas que saco! Tudo meu tá sumindo!
- Hehehe. Você, também... nem guarda suas coisas direito.
- Me deixa, vai! E sai daqui! Quem deixou você entrar no meu quarto?
- Ih, não precisa apelar! (...) Nem jogar sapato em mim! Se ele sumir, nem vem falar que a culpa é minha!
- Ô mãe...!
- Tá, já fui!

- Quê que você quer, Maria? Me zuar também, é?
- Não! Mas posso dar minha opinião?
- Anh... (Ai, lá vem...) Fala aí!
- Foram os duendes!
- O que???
- Os duendes! Ou gnomos, como preferir.
- ...
- Dizem que quando eles querem brincar com os seres humanos, eles pegam suas coisas, trocam de lugar... As vezes a pessoa só acha dias depois.
- Sei. Então quer dizer que você acha que tem duendes me rondando...?
- É bem provável!
- Isso significa que daqui há alguns dias eu devo encontrar minha lapiseira, meus óculos e meu chocolate...?
- É... Bem... Acho que sim... os óculos... a lapiseira... mas os chocolates, acho que você não devia se importar tanto com ele.
- Não? Porque?
- Ah, chocolate perde a validade, né?!
- Sei... Maria!

sábado, 8 de dezembro de 2007

Rastros

vestígios
ausencia de presenças
presença de corpo e carne
[hálma?]

e eu em carne viva
sangue e lágrimas
sorrisos e salivas
[dividida]

enganam-se mutuamente
entre amores e ódios
muros
[...]

lembranças exiladas com o vento
levadas...
trazidas...
[amadas]

alianças feitas
desfeitas
rompidas
[ainda usada]

restam ainda os rastros.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

The body says what words cannot


Se eu pudesse voltar atrás, dançaria muito mais!

"Meu corpo é o templo da minha arte. Eu exponho-o como altar para a adoração da beleza." [Isadora Duncan]