sexta-feira, 21 de março de 2008

Ontem a noite

Não acreditava que te veria.
Não ontem.
Chamei simplesmente por costume...
Uma via das dúvidas,
geralmente de mão única.
Em meio a pessoas tão minhas
Você apareceu.
E mesmo em sua presença
Acho que nunca fui tão EU.
Ao dançar, me fiz segura
E dona das minhas vontades
Não acreditei naquele momento
Que existiria possibilidade
De se fazer novamente vivo
Aquilo que só almejava em meu íntimo
Mas que minha pele já suportava,
Não sem certa angútia,
Guardar apenas nas lembranças.
Apesar dos seus beijos
Aos quais sempre me entrego
Entendo o seu receio.
Eu páro.
Mas quero, não nego.
Sua cabeça recostada em meu peito
Fez de ti uma criança
Te vi tão frágil ali,
Que te quis apenas assim.
Não quero que se assuste
E nem que fuja de mim
Como sei que já fez outras vezes.
Apenas aceite...
Sei que a pessoa não sou EU
Não anseio mais este lugar.
Mas sua presença me faz bem
E se o que pode me oferecer é isso
Saiba que aceito de bom grado.
Não esperava nada mais.
Ao te fazer cafuné
Evitei me pensar mulher,
Mas quando você me tocou novamente
Todo aquele turbilhão de sensações
Que nunca senti com outra pessoa
Se afloraram em minha pele.
E ali, sentindo sua respiração,
Seu suor e sua saliva,
O seu corpo pesado
Largado sobre o meu,
Fui mulher como nunca
Com ninguém.
Mulher, amiga, louca e mãe
Tudo isso, na noite de ontem.

5 comentários:

André disse...

É ... eu realmente gosto desses seus devaneios que eu não entendo nada rsrs
bjão!

André disse...

É eu realmente gosto desses seus devaneios que eu não entendo nada rsrs
bjão!

Filipe Garcia disse...

Que beleza! Você conseguiu transformar a tristeza em algo belo. Como diria Rubem Alves: "não há nada mais triste e belo que o pôr-do-sol".

Obrigado por esse entardecer.

bjos

Juliana Caribé disse...

"Uma via das dúvidas,
geralmente de mão única."
Achei essa parte o máximo!

Beijos.

Mateus Marques disse...

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